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27/07/2016 15:59:48 - Atualizado em 27/07/2016 16:00:51

Promissor mercado da criação

Conhecimento e criatividade aumentam o valor de produtos e serviços

Em visita ao Brasil no início de junho deste ano, o diretor de Pesquisa e Cidades do Creative Class Group - organização, com sede em Nova Iorque, que desenvolve estratégias para o crescimento da economia criativa em todo o mundo -, Steven Pedigo, afirmou que "muitos dos desafios brasileiros estão relacionados a uma economia focada em recursos naturais. É preciso mudar o foco e investir em pessoas, em talento e em empreendedorismo".

A perspectiva do pesquisador leva à reflexão de que é necessário investir no capital humano, em seus conhecimentos e em pensamentos diferenciados, criando novas ideias e inovando, também, a maneira como o consumidor se relaciona com os produtos ou serviços.

E "relacionamento" é a palavra-chave. Construir relações simbólicas entre o público e produto, gerando proximidade e experiências específicas, são alguns dos meios para atingir os fins, revelando que essa economia valoriza mais o processo do que o produto - que, por sua vez, ganha qualidade por ser fruto desse processo.

SIMBOLISMO

A jornalista e empreendedora Luiza Cazumbá viu no registro fotográfico instantâneo uma oportunidade para oferecer um produto diferenciado: a foto-lembrança. "Eu já gostava muito de fotografar e, com essa crise, resolvi pensar em algo que me gerasse uma renda com pouco investimento, unindo o útil ao agradável. Comecei a pesquisar e vi que a foto- lembrança é a nova queridinha da vez, mesmo em tempos de dispositivos móveis e a facilidade em fazer fotos e compartilhar", conta.

O conhecimento técnico que já possuía e a sua criatividade deram, então, vida ao negócio. "As fotos da instantânea são realizadas com câmeras profissionais e com um fotógrafo. Além disso, levamos um painel temático, acessórios e plaquinhas divertidas, garantindo as melhores imagens. As fotos são impressas na hora, com um tempo máximo de trinta minutos, e já saem prontas para levar", explica a jornalista.

O valor simbólico entre o produto e o consumidor foi, para Luiza, essencial na diferenciação do serviço. "É muito importante atribuir sentido ao produto ou serviço. Foi um desafio trazer de volta, na era digital, o interesse pela fotografia impressa. Mas a instantânea tem como slogan registrar o presente em fotos, eternizando, assim, o momento e dando um valor sentimental ao produto. É, portanto, uma memória palpável".

VALOR

A empreendedora e autodenominada criativa Isabele Ribeiro atribui ideias inovadoras à imagem de empresas. "O Mercado Xique é um estúdio criativo que trabalha com produção e conteúdo digital, pensando a parte criativa e posicionamento on-line de marcas em Aracaju. Nele, trabalho com duas sócias, Julliana Samara e Úrsula Freitas, que trouxeram um conhecimento a mais para o negócio", conta.

Breno Coutto

Isabele, Úrsula e Julliana, do Mercado Xique,
criam conteúdos digitais

Para ela, a inovação possui um grande valor. "Acredito que a criatividade é o ponto-chave de qualquer negócio. Uma embalagem criativa pode vender um biscoito que nem é tão gostoso assim. É necessário a gente abrir o olhar e entender que a economia criativa já está no nosso cotidiano há muito tempo. É preciso ser firme e profissional para que cada vez mais as pessoas entendam (e queiram pagar por) esses serviços que vêm de ideias. Ideias valem muito. Ideias podem, sim, movimentar a economia de um País com uma força absurda", defende.

Isabele conta, ainda, que novas ideias advêm de experiências e conhecimentos adquiridos e acumulados. "Para o criativo, o valor das coisas colocadas para nós culturalmente deve sempre estar em questionamento. Vivenciar uma viagem de 15 dias morando num barco no meio do Rio São Francisco pode ser mais forte do que cinco anos de graduação, por exemplo. É como remar e viver de novas experiências, estando sempre aberto a vivê-las", afirma Isabele.

É como defende Gilberto Gil, que, quando à frente do Ministério da Cultura - de 2003 a 2008 -, evidenciou a potencialidade criativa do Brasil, afirmando que "a diversa e sofisticada produção cultural brasileira, além de sua relevância simbólica e social, deve ser entendida como um dos grandes ativos econômicos do País, capaz de gerar desenvolvimento".

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